Primeira Turma do STF decide por unanimidade tornar réus deputados do PL em processo de desvio de emendas
Primeira Turma do STF decide por unanimidade tornar réus deputados do PL em processo de desvio de emendas
Denúncia aponta que grupo solicitou ao então prefeito de São José de Ribamar (MA) o pagamento de propina de R$ 1,66 milhão. Ministros Flávio Dino e Luiz Fux ainda faltam apresentar votos.
Por Fernanda Vivas, TV Globo — Brasília
A Primeira
Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade nesta
terça-feira (11) para tornar réus três deputados do PL denunciados por supostos
desvios de dinheiro de emendas parlamentares.
Os ministros
julgam denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os
deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa
(PL-SE), que atualmente é suplente de deputado.
Votaram pelo
recebimento da denúncia o relator ministro Cristiano Zanin, ministro Alexandre
de Moraes, ministra Cármen Lúcia e os ministros Flávio Dino e Luiz Fux.
O julgamento
ocorreu no plenário virtual.
Com a
denúncia recebida, os deputados viram réus e vão responder pelos crimes de
organização criminosa e corrupção passiva. Então, será aberta ação penal que
terá instrução com depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos réus, só
depois serão julgados pela Primeira Turma do STF.
Entenda o
caso
A
Procuradoria apontou que, em 2020, o grupo solicitou ao então prefeito de São
José de Ribamar (MA) o pagamento de propina de R$ 1,66 milhão em contrapartida
à destinação de recursos públicos federais de R$ 6,67 milhões ao município, por
meio de emendas patrocinadas pelos parlamentares denunciados.
Segundo a
denúncia, o deputado Josimar Maranhãozinho liderava o suposto esquema e tinha
ingerência sobre emendas dos colegas.
A PF apontou
que Bosco Costa (PL-SE) utilizava a esposa e o filho na destinação de parte dos
recursos indicados pela suposta organização criminosa, que contava com agiotas,
blogueiros e empresários.
De acordo
com os investigadores, o grupo exigia, inclusive fazendo ameaças com armas, a
devolução de 25% dos valores de emendas que indicava para a saúde do município
de São José de Ribamar.
O que
dizem os ministros?
Relator do
caso, Zanin afirmou que “a tese acusatória de que os denunciados referidos
neste tópico se organizaram de forma arquitetada para o cometimento de delitos
contra a Administração Pública reúne elementos suficientes que autorizam, neste
particular, o recebimento da denúncia”.
No voto, o
ministro afirmou que a investigação reuniu “elementos consistentes” em
documentos, planilhas e depoimentos.
“Contra os
três parlamentares há evidências produzidas ao longo da investigação criminal
indicando que teriam atuado em concertação ilícita para solicitar ao prefeito
José Eudes Sampaio Nunes o pagamento de vantagem indevida, o que caracteriza,
em tese, o delito de corrupção passiva”.
O ministro Alexandre de Moraes afirmou que a denúncia possui os elementos que justificam a abertura de uma ação penal contra os deputados.
“Por
meio da Operação Ágio Final, foi possível indicar o efetivo desvio de
dispêndios financeiros, por meio da prática de corrupção institucionalizada,
entre os meses de janeiro e agosto de 2020, período em que os denunciados
J0simar, Gildenemir [Pastor Gil)] e João Bosco encontravam-se no pleno
exercício de seus mandatos parlamentares”.
Para o
ministro, a denúncia mostra que os acusados “estariam unidos, com unidade
de desígnios e propósitos, solicitando, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, em razão de função pública, vantagem indevida”.
Moraes
ressaltou ainda que “a criminalidade organizada é, hoje, um dos maiores
problemas do mundo moderno. Apesar de não se tratar de fenômeno recente, o
crescimento das organizações criminosas representa uma grave ameaça à
sociedade, especialmente pelo grau de lesividade dos crimes por ela praticados
e pela influência negativa que exercem dentro do próprio Estado”.
A ministra
Cármen Lúcia acompanhou o voto do relator, mas não divulgou a íntegra do voto.