Fábrica da GWM no ES terá capacidade para produzir 200 mil veículos por ano e vai gerar 10 mil empregos
FÁBRICA DA GWM NO ES TERÁ CAPACIDADE PARA PRODUZIR 200 MIL VEÍCULOS POR ANO E VAI GERAR 10 MIL EMPREGOS
Fábrica vai ocupar uma área de 1,7 milhão de metros quadrados, em Aracruz, Norte do Espírito Santo. Apenas a etapa de construção da unidade deverá empregar cerca de 3.500 pessoas.
Por Julia Camim, Paulo Ricardo Sobral, g1 ES e TV Gazeta
A montadora chinesa Great
Wall Motors (GWM) tem a expectativa de produzir até 200 mil carros por ano em
sua segunda unidade no Brasil, que será instalada em Aracruz, no Norte do
Espírito Santo. A fábrica vai ocupar uma área de 1,7 milhão de metros quadrados
e, em operação, poderá empregar até 10 mil pessoas.
A construção, anunciada em
janeiro deste ano com a assinatura do termo de compromisso, será na zona
industrial de Barra do Riacho, região próxima ao Porto da Imetame e de outras
fábricas, e deverá gerar cerca de 3.500 empregos diretos apenas nessa fase de
obras.
Os anúncios foram feitos na
manhã desta terça-feira (24), no Palácio Anchieta, sede do governo estadual, em
Vitória. No evento, o governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que a chegada
da construtora representa um avanço da atividade industrial no estado:
“Pode trazer
tecnologias novas e, especialmente, vai gerar emprego, renda, atividade
econômica e vai atrair outros fornecedores, porque as indústrias que fornecem
para essa atividade também vão poder se instalar no Espírito Santo. É uma nova
vertente do desenvolvimento do nosso estado”.
Apesar das expectativas,
ainda não há prazo para a inauguração da fábrica. Segundo o chefe do Executivo,
é necessário negociar a desapropriação de parte da área pertencente à Suzano e
também realizar o licenciamento ambiental.
Busca por competitividade
Os veículos de Aracruz vão
abastecer os mercados interno e externo e, para isso, a GWM também vai contar
com matéria-prima capixaba para produzir peças e componentes. Ou seja, no longo
prazo, a unidade não será apenas uma montadora de veículos.
Segundo Ricardo Bastos,
executivo da GWM no Brasil, esta é uma estratégia para garantir que os
automóveis sejam mais competitivos do que os importados de outros países, como
a própria China. Ter componentes locais faz com que a marca pague menos
impostos ao entrar em mercados vizinhos, como a Argentina.
“Queremos ser muito
competitivos, queremos brigar em termos de competitividade com a nossa
matriz”, disse Bastos.
Atualmente, a GWM possui
apenas uma fábrica nas Américas e no Hemisfério Sul. A unidade foi inaugurada
em agosto de 2025, em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e utilizou R$ 4
bilhões do total de R$ 10 bilhões de investimentos previstos pela marca no
Brasil, ao longo de dez anos.
Na segunda fase do plano,
entre 2027 e 2032, a previsão é que a GWM invista mais de R$ 6 bilhões no país.
Escolha do Espírito Santo
As negociações do estado com
a GWM começaram em 2023, quando a marca começou a importar carros pelo Espírito
Santo. Dois anos depois, aconteceu uma primeira reunião para trabalhar a
possibilidade da construção da fábrica em Aracruz.
“A partir daí, montamos
um time multidisciplinar para acompanhar as demandas, as necessidades, o que
estava alinhado ou desalinhado com o que o estado tinha pronto para
entregar”, explicou o secretário de desenvolvimento do Espírito Santo,
Rogério Salume.
Em seguida, o estado passou
a disputar a instalação da montadora e foi escolhido para sediar a segunda
fábrica da marca. Conforme o executivo da GWM no Brasil, as políticas do estado
influenciaram na decisão da marca:
“Olhamos o Brasil
inteiro. E o Espírito Santo ofereceu condições espetaculares. A escolha passou
por critérios técnicos, muitas análises, questões de competitividade”,
completou Ricardo Bastos.
