Acordo UE-Mercosul: agro pressiona governo por decreto para proteger setor antes de votação na Câmara
ACORDO UE-MERCOSUL: AGRO PRESSIONA GOVERNO POR DECRETO PARA PROTEGER SETOR ANTES DE VOTAÇÃO NA CÂMARA
Embora seja favorável ao acordo comercial, o agro sustenta que é necessário criar mecanismos de proteção para preservar a competitividade dos produtos brasileiros.
Por Maria Ferreira, GloboNews
O governo federal negocia
com o setor agropecuário o envio, nos próximos dias, de um decreto que
estabeleça salvaguardas para produtos agrícolas brasileiros no âmbito do acordo
de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
A medida voltou ao centro
das discussões durante reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com
o relator do acordo na Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP).
Na semana passada, o
vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou que o governo prepara o decreto e
deve encaminhá-lo para análise da Casa Civil nos próximos dias.
O setor, porém, defende um
envio mais célere, diante da sinalização do presidente da Câmara, Hugo Motta,
de que o texto pode ser levado ao plenário ainda nesta semana.
Embora seja favorável ao
acordo comercial, o agro sustenta que é necessário criar mecanismos de proteção
para preservar a competitividade dos produtos brasileiros.
A preocupação aumentou após
o Parlamento Europeu aprovar, no fim do ano passado, regras mais rígidas para
importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul.
Uma das medidas estabelece
que, se as importações de um produto agrícola considerado sensível crescerem
5%, na média de três anos, a União Europeia poderá abrir investigação para
avaliar eventual suspensão dos benefícios tarifários. Na proposta original da
Comissão Europeia, o gatilho era de 10%.
Durante a reunião, o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a adoção de salvaguardas brasileiras é urgente. Segundo ele, caso outro país integrante aprove o texto provisório do acordo, as regras passam a valer imediatamente, o que poderia deixar as exportações brasileiras sem mecanismos de proteção equivalentes.
“O que nos preocupa é que
qualquer parlamento aprovando, como é o caso da Argentina, que já aprovou na
Câmara , tem que ir pro Senado agora, a União Europeia pode aplicar. E se não
tiver nenhum tipo de salvaguarda, passando dos 5% eles podem abrir uma investigação.”
Segundo Lupion, entre os
principais produtos afetados estão o milho, a carne e o açúcar.
“Colocar uma régua de 5% no
crescimento das exportações do agro brasileiro gera um impedimento muito claro.
Se formos analisar alguns produtos que têm sido objeto de estudo entre 2024 e
2025, só o milho teve aumento de 95% de um ano para o outro. A carne bovina,
75%; o açúcar, 73%. São vários os produtos que ultrapassam os 5% e que não
podem simplesmente ser impedidos. Num acordo de livre comércio, não dá para um
lado ganhar e o outro perder”, disse.
Votação do acordo nesta
semana
O relator do acordo
UE-Mercosul na Câmara, deputado Marcos Pereira, disse que o presidente Hugo
Motta pretende pautar a matéria até a próxima quinta-feira (26). Os dois devem
se reunir ainda esta semana com o vice-presidente Geraldo Alckmin pra discutir a
votação do acordo e as salvaguardas, a pedido do setor agro.
Segundo apuração da
GloboNews, Marcos Pereira já afirmou que o texto do acordo não deve ser mudado,
já que “acordos internacionais o parlamento ratifica ou não ratifica.” Pereira
acrescentou, no entanto, que vai fazer recomendações a partir de articulações
que estão sendo feitas com os setores interessados.
