Agroindústrias terão R$ 546,6 bilhões em investimentos até 2029
Agroindústrias terão R$ 546,6 bilhões em investimentos até 2029
Projetos estão ligados à Missão 1 da Nova Indústria Brasil.
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
O governo
federal apresentou nesta terça-feira (3) os investimentos que estão sendo
feitos para impulsionar cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais até
2029. Os recursos somam R$ 546,6 bilhões, sendo R$ 296,3 bilhões do setor
privado e R$ 250,2 bilhões em linhas de crédito do poder público.
Durante
cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
assinou um decreto criando o Programa Nacional de Pesquisa e Inovação para a
Agricultura Familiar e Agroecologia (PNPIAF). O objetivo é promover ações de
pesquisa e inovação voltadas para a agricultura familiar, com ênfase na
transição agroecológica, nos territórios, na preservação dos biomas e na
sustentabilidade dos agroecossistemas.
“O impulso é
para uma indústria mais inovadora, depois uma indústria mais verde, uma
indústria mais sustentável”, disse o vice-presidente e ministro do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, sobre os
diversos atos anunciados.
Os projetos
estão ligados à Missão 1 da Nova Indústria Brasil (NIB). Lançada em janeiro
deste ano, a NIB é uma política industrial com seis missões relacionadas à
ampliação da autonomia, transição ecológica e modernização do parque
industrial. O programa foca nos setores da agroindústria, saúde, infraestrutura
urbana, tecnologia da informação, bioeconomia e defesa e visa impulsionar o
desenvolvimento nacional até 2033 com instrumentos como subsídios, empréstimos
com juros reduzidos e ampliação de investimentos.
Dos recursos
públicos para a Missão 1, R$ 198,1 bilhões já foram alocados em 2023 e 2024 e
R$ 52,18 bilhões estão disponíveis para até 2026. Já os valores do setor
privado devem ser investidos até 2029, envolvendo 10 organizações e associações
agroindustriais.
Entre as
prioridades da missão estão a disseminação do uso da agricultura de precisão,
com estímulo à produção nacional de drones, e o adensamento da cadeia de
produção de fertilizantes e biofertilizantes, para reduzir a dependência
brasileira desses insumos importados. Além disso, o governo quer fortalecer a
produção nacional de máquinas agrícolas e suas partes e componentes.
Mais
crédito
A novidade
anunciada hoje é que o Banco do Brasil passa a compor o Plano Mais Produção
(P+P) como novo braço de financiamento da NIB, com R$ 101 bilhões. Com isso, os
recursos para a política industrial alcançam R$ 507 bi em linhas de crédito.
Além do
Banco do Brasil, o Plano Mais Produção disponibiliza recursos por meio do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (R$ 259 bi), Caixa (R$ 63 bi),
Finep – empresa pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
(R$ 51,6 bi), Banco do Nordeste (R$ 16,7 bi), Banco da Amazônia (R$ 14,4
bilhões) e Embrapii (R$ 1 bi).
Durante o
evento, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Petrobras assinaram acordo
para fortalecer a produção e o desenvolvimento de fertilizantes e insumos para
nutrição de plantas. O termo prevê a ampliação e modernização de fábricas para
produção nacional de fertilizantes; capacitação de profissionais;
desenvolvimento de tecnologias avançadas; aprimoramento da infraestrutura e
logística; transferência de tecnologia; além do desenvolvimento rural
sustentável.
O Banco do
Nordeste (BNB) também assinou contrato com a empresa Inpasa para o
financiamento de uma nova fábrica de etanol de milho e sorgo no Maranhão. Com
financiamento de R$ 600 milhões do BNB, o projeto terá um investimento total de
R$ 1,3 bilhão, incluindo os recursos privados.
Além disso,
a Finep assinou dois contratos, de R$ 250 milhões cada, para o desenvolvimento
de produtos inovadores para o setor agropecuário. O primeiro deles foi com a
empresa Ouro Fino Saúde Animal para o desenvolvimento da primeira vacina de
dose única do mundo contra a doença de Glässer para suínos.
O outro
acordo da Finep foi com a Lar Cooperativa Agroindustrial e prevê o
desenvolvimento de soluções ligadas a alimentos e suprimentos para aves,
buscando a automação dos processos e o uso de novas tecnologias.
Metas
Uma das
metas da Missão 1 da NIB política é elevar o crescimento do PIB Renda
Agroindústria (produção de riqueza pela ótima da renda) para 3% ao ano, em
2026, e 6% ao ano, em 2033. Em 2023, o PIB Renda da agroindústria em 2023 foi
de R$ 761 bilhões e a média do crescimento de 2019 a 2023 foi de 1,75%.
Outro
objetivo é aumentar a mecanização da agricultura familiar para 28%, em 2026, e
35%, em 2033. De acordo com o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), em 2023, a taxa de mecanização da agricultura
familiar alcançava 25%.
A terceira
meta é aumentar a tecnificação da agricultura familiar para 43%, em 2026, e
66%, em 2033. Tecnificação é o uso de equipamentos e tecnologias agrícolas que
vão além da mecanização. Atualmente, apenas 35% dos estabelecimentos são
tecnificados.
Atração
de investimentos
Durante o
evento, Alckmin apresentou um balanço dos investimentos privados já anunciados
no âmbito da NIB, no total de R$ 1,831 trilhão. Para o setor de infraestrutura
urbana, foi destinado 1,06 trilhão; para Tecnologia da Informação e Comunicação
(TIC), R$ 100,7 bilhões; para o setor automotivo, R$ 130 bilhões; para a
agroindústria, R$ 296,3 bilhões. Também foram destinados R$ 100 bilhões para o
setor de aço, R$ 105 bilhões para o setor de papel e celulose e R$ 39,5 bilhões
para a saúde.