Após dois anos de covid, um em cada quatro jovens não estuda
Após dois anos de covid, um em cada quatro jovens não estuda
Nível de ocupação no Brasil subiu de 51% em 2020 para 52,1% em 2021
Publicado em 02/12/2022 - 10:02 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
Após dois
anos de pandemia, em 2021, um em cada quatro jovens brasileiros de 15 a 29
anos, o equivalente a 25,8%, não estudava, nem estava ocupado. Mais da metade –
62,5% – é mulher. Os dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais (SIS):
uma análise das condições de vida da população brasileira 2022, divulgada hoje
(2), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Segundo a
publicação, por conta da falta de experiência, os jovens são os que enfrentam
maior dificuldade tanto para ingressar quanto para permanecer no mercado de
trabalho. Eles representam o grupo mais vulnerável aos períodos de crise
econômica, especialmente os menos qualificados.
Em 2021, dos
12,7 milhões de jovens de 15 a 29 anos que não estudavam nem estavam ocupados
no Brasil, as mulheres de cor ou raça preta ou parda representavam 5,3 milhões
desses jovens (41,9%), enquanto as brancas formavam menos da metade desse
montante: 2,6 milhões (20,5%), totalizando 7,9 milhões de mulheres ou 62,5% dos
jovens que não estudavam nem estavam ocupados. Entre os 4,7 milhões de jovens
restantes nessa situação, três milhões eram homens pretos ou pardos (24,3%),
conforme classificação do IBGE, e 1,6 milhão de brancos (12,5%).
A pesquisa
indicou que a pandemia não alterou a composição desse indicador por raça ou
sexo. A SIS mostra que distintos papéis de gênero na sociedade influenciam a
razão pela qual os jovens e as jovens se encontram na situação de não estudar
nem estar ocupado. Os homens tendem a estar nessa situação mais frequentemente
como desocupados, ou seja, em busca de ocupação e disponíveis para trabalhar,
já as mulheres como fora da força de trabalho.
Crianças
Diversos
fatores são responsáveis pelas mulheres que não estudavam nem estavam ocupadas
estarem em maior proporção fora da força de trabalho, entre eles, destaca-se
responsabilidades com o cuidado de crianças, conforme a publicação. Por sua
vez, problemas de saúde e outros motivos prevalecem entre os homens que não
estudavam nem estavam ocupados fora da força de trabalho.
“As
mulheres, em sua maioria, estavam fora da força de trabalho. Elas não eram
desocupadas, elas não estavam procurando emprego e disponíveis para trabalhar
como é o caso da maioria dos homens”, afirmou a pesquisadora do IBGE Betina
Fresneda.
“Essa
situação é ratificada com a investigação dos motivos pelos quais as mulheres
estão nessa situação e, como o principal motivo, figuram cuidados e afazeres
domésticos, assim como em outros países que investigam esses motivos”,
acrescentou.
Esse índice
reduziu em 2021 em relação a 2020, quando 28% dos jovens não estavam estudando,
nem trabalhando. Em 2020, entre os países da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil foi o terceiro maior percentual de
jovens adultos que não estudavam nem estavam ocupados, ficando atrás apenas da
África do Sul e da Colômbia.
Nível de
ocupação
Consideradas
todas as faixas etárias a partir dos 14 anos, o nível de ocupação no Brasil
subiu de 51% em 2020 para 52,1% em 2021, mas ainda está bem abaixo de 2019,
56,4%. São considerados nesse indicador tanto aqueles que possuem um vínculo
empregatício, quanto os empregados sem carteira e os trabalhadores por conta
própria.
O estudo
mostra, ainda, que, em 2021, aumentou a diferença de ocupação entre homens e
mulheres. Mesmo situados em patamar mais baixo, o nível e a ocupação das
mulheres foram mais reduzidos em 2020 e cresceram menos em 2021, ampliando a
distância entre os sexos.
Em 2019,
antes da pandemia, 66,8% dos homens e 46,7% das mulheres com mais de 14 anos
estavam ocupados. Em 2021, o nível de ocupação dos homens caiu 3,7 pontos
percentuais (pp) para 63,1%, enquanto o nível de ocupação das mulheres recuou
4,8 pp para 41,9%.
Em relação a
raça, a população ocupada preta ou parda é 19% superior à população branca. No
entanto, há diferenciação significativa em relação ao vínculo empregatício – a
informalidade é maior entre pessoas pretas e pardas – e a remuneração.
Em 2021, o
aumento das ocupações informais foi de 1,6 pp para as pessoas de cor ou raça
preta ou parda e 0,9 pp para pessoas de cor ou raça branca. Em relação ao
rendimento, a diferença total é de 69,4% entre pretos e pardos e brancos.
A SIS reúne
indicadores que ajudam em um conhecimento amplo da realidade social do Brasil.
A publicação utiliza dados de pesquisas do IBGE como a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e a Pesquisa de Informações Básicas
Municipais, além de dados de fontes externas como o Ministério da Saúde e a
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e informações de organismos
internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Edição:
Kleber Sampaio