Covid não é mais uma emergência sanitária de importância internacional, diz OMS
Covid não é mais uma emergência sanitária de importância internacional, diz OMS
Especialistas da OMS se reuniram ontem para discutir o rebaixamento do mais alto nível de alerta da organização. Decisão não altera título de pandemia.
Por Roberto Peixoto, g1 05/05/2023 10h23 - Atualizado há um minuto
Depois de
mais de 3 anos de emergência internacional, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) anunciou nesta sexta-feira (5) que a Covid não é mais uma Emergência de
Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). O mais alto título de
alerta da organização havia sido declarado para o surto do novo coronavírus no
final de janeiro de 2020.
A decisão
desta sexta-feira foi motivada pela vertiginosa queda nos números de casos e
mortes pela doença, aliada à ampla vacinação da população. Pelas estimativas da
OMS, desde 2020, a doença matou mais de 7 milhões de pessoas em todo o mundo,
um número que pode ser ainda mais alto.
O fim da
Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional não altera o título de
pandemia de Covid, que só havia sido declarado meses após a emergência, em
março do mesmo ano.
Isso porque
a ESPII é um termo técnico que passa por diversos critérios até ser decretado.
A designação é bastante importante para coordenação de esforços de saúde
pública internacionais. Já o termo pandemia é diferente e faz referência a
disseminação mundial de uma nova doença, quando vários continentes têm uma
transmissão sustentada do surto.
Diferença
entre ESPII e pandemia
No começo
deste ano a OMS divulgou um vídeo explicando inclusive a diferença entre a
ESPII e a pandemia. Nele, a líder técnica da entidade, Maria van Kerkhove,
ressaltava que mesmo que a organização decretasse o fim da emergência este ano,
o mundo ainda poderia ter que lidar por um bom tempo com a pandemia de Covid.
“Isso
porque esse vírus está aqui conosco e veio para ficar”, disse Kerkhove à
época.
“É
muito difícil definir quando você chega num status em que um novo vírus se
torna uma pandemia. Já a ideia de declarar uma ESPII é para coordenar uma ação
imediata antes que esse evento se torne ainda maior e vire uma pandemia”,
acrescentou.
Especialistas
da OMS se reuniram ontem para discutir o rebaixamento do mais alto nível de
alerta da organização.
“O
Comitê de Emergência se reuniu pela 15ª vez e me recomendou que eu declarasse o
fim da emergência de saúde pública de importância internacional. Aceitei esse
conselho. É, portanto, com grande esperança que declaro o fim da Covid-19 como
uma emergência de saúde global”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros
Adhanom.
“No
entanto, isso não significa que a Covid-19 acabou como uma ameaça à saúde
global. Na semana passada, a Covid ceifou uma vida a cada três minutos – e
essas são apenas as mortes que conhecemos”, acrescentou.
Queda de
casos e mortes
A decisão
acontece depois que vários países, como os Estados Unidos, começaram a
suspender seus estados de emergência locais. O Brasil fez o mesmo em abril do
ano passado, na contramão do que dizia a OMS na época.
Agora, com a
vertiginosa queda nos números de casos e mortes pela doença, aliada a ampla
vacinação da população, a situação já é outra, o que motivou a decisão da OMS.
Nesta sexta,
o diretor da OMS disse inclusive que a pandemia está em tendência de queda há
mais de um ano, reconhecendo que a maioria dos países já voltou à vida normal
antes da Covid.
Mais de três
anos depois da declaração da emergência, o vírus causou cerca de 764 milhões de
casos em todo o mundo e cerca de 5 bilhões de pessoas receberam pelo menos uma
dose da vacina, de acordo com as mais recentes estimativas globais.
“A Covid mudou o nosso mundo e nos mudou”,
acrescento Tedros, alertando que o risco de novas variantes ainda persiste pelo
mundo.
