Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, dia de decisão de juros no Brasil e EUA
Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, dia de decisão de juros no Brasil e EUA
Na véspera, o principal índice do mercado de ações brasileiro caiu 2,40%, aos 101.926 pontos.
Por g1 03/05/2023 10h16 - Atualizado há 3 minutos
O Ibovespa,
principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em baixa nesta
quarta-feira (3), dia de decisão de política monetária no Brasil e nos Estados
Unidos.
As
expectativas são de que o Banco Central do Brasil (BC) mantenha a taxa Selic em
13,75%, enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve elevar
seus juros em 0,25 ponto percentual.
Juros altos
pesam contra o desempenho do mercado de ações, já que com as taxas maiores, a
renda fixa, forma de investimento mais segura, entrega uma rentabilidade
atrativa.
Às 11h45, o
Ibovespa caía 0,17%, aos 101.757 pontos.
A
desvalorização do minério de ferro no exterior derruba as ações de empresas do
setor, o que também impacta negativamente a Bolsa. A Vale, companhia com maior
peso na composição do Ibovespa, tinha queda de quase 1% no mesmo período.
No dia
anterior, o índice teve forte queda de 2,40%, aos 101.926 pontos. Com o resultado,
o Ibovespa passou a acumular:
– Queda de
2,40% na semana e no mês;
– Recuo de
7,12% no ano.
O que
está mexendo com os mercados?
Apesar de
toda a expectativa para a “Super Quarta”, investidores estão menos
apreensivos com os resultados de juros do que com as mensagens que serão
enviadas pelas autoridades monetárias nesta quarta-feira.
No Brasil,
agentes avaliam que os dados de atividade econômica e os núcleos de inflação
medidos pelo IPCA-15, divulgado na semana passada, podem afastar um tom mais
sereno do Banco Central e tirar um pouco da clareza das intenções do Comitê de
Política Monetária (Copom) para a próxima reunião.
“Além
disso, a questão fiscal vigente ainda não tem definição e portanto, não abre
espaço para que haja alívio nos vértices das curvas de juros de forma a
permitir a retomada do afrouxamento monetário antes do segundo semestre deste
ano, sendo possíveis cortes a partir de agosto”, diz a análise da Infinity
Asset.
Para a casa
de análise, inclusive, os cortes no segundo semestre só poderão seguir a
depender dos rumos do arcabouço fiscal e se seu foco continuará na busca por
receitas e não, na redução de despesas.
Nos Estados
Unidos, a decisão de hoje do Fed também é amplamente esperada e as atenções
estarão no tom da coletiva do presidente da entidade, Jerome Powell .
Ainda que a
inflação americana tenha desacelerado lentamente nas últimas medições, o
mercado de trabalho apresenta bastante força. O Fed teme que, assim, as
pressões salariais adicionem mais um componente inflacionário à economia
americana.
Assim, serão
vigiados os resultados da geração de empregos pelo setor privado (ADP
Employment) nesta quarta e do relatório de emprego norte-americano (também
conhecido como payroll) na sexta-feira.
O ADP já
surpreendeu: foram abertas no setor privado 296 mil vagas no mês passado,
mostrou o relatório. Economistas consultados pela Reuters previam que 148 mil
vagas seriam criadas.
Além disso,
os dados de março foram revisados para baixo para mostrar 142 mil postos em vez
de 145 mil conforme relatado anteriormente.
Em relatório
desta manhã, porém, a XP Investimentos alertava para a desaceleração do mercado
de trabalho em meio à alta de juros.
“O
número de vagas disponíveis nos EUA caiu para o nível mais baixo em quase dois
anos em março, com o mercado de trabalho na maior economia do mundo mostrando
sinais de arrefecimento em resposta ao aumento das taxas de juros”, diz o
texto.
“Esfriar
o mercado de trabalho em alta nos EUA tem sido um pilar fundamental da recente
campanha agressiva de aumento de juros do Fed, com algumas autoridades
argumentando que um abrandamento nessa parte da economia pode auxiliar a
reduzir a inflação elevada.”