IPCA-15: prévia da inflação fica em 0,57% em abril, ainda pressionada pela gasolina
IPCA-15: prévia da inflação fica em 0,57% em abril, ainda pressionada pela gasolina
Indicador acumulado em 12 meses desacelerou para 4,16%. Resultado vem menor do esperado pelo mercado e é a primeira vez em que fica abaixo de 5% desde fevereiro de 2021. Resultado também entra no intervalo da meta de inflação.
Por Raphael Martins, g1 26/04/2023 09h00 - Atualizado há 53 minutos
O Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado a prévia da
inflação oficial do país — ficou em 0,57% em abril, informou nesta quarta-feira
(26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice
desacelerou na comparação com março, quando ficou em 0,69%. O acumulado do ano
é de 2,59%. Em abril de 2022, o IPCA-15 foi de 1,73%.
Com os
resultados, o IPCA-15 acumulou 4,16% na janela de 12 meses. É a primeira vez em
que o indicador fica abaixo de 5% desde fevereiro de 2021. Trata-se também uma
redução em relação aos 5,36% anotados no mês passado.
Os números
ficaram um pouco abaixo das expectativas de mercado. Em pesquisa da Reuters
eram esperadas altas de 0,61% no mês e de 4,20% em 12 meses.
Em abril, o resultado anual entrou no intervalo das metas de inflação do país. A meta é de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O índice é um dos parâmetros usados pelo Banco Central (BC) para definir a Selic, a taxa básica de juros do país.
Mas a
expectativa de economistas é de uma retomada da inflação no segundo semestre.
Segundo o boletim Focus desta semana, a estimativa de inflação em 2023 está em
6,04%, acima do teto da meta.
Todos os
nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta no mês, com maior variação vinda
do grupo de Transportes (1,44%). O resultado ainda é consequência do aumento
nos preços da gasolina (3,47%), depois da reoneração dos impostos federais em
cima do combustível que vem desde março.
Reoneração
de combustíveis
A gasolina
continua em destaque nos resultados de inflação em função da reoneração dos
combustíveis determinada pelo governo federal no fim de fevereiro. Os impostos
federais haviam sido retirados da cobrança pelo ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) para derrubar a inflação em ano eleitoral.
O governo de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a renovar a desoneração por dois meses no
início do mandato, mas reinseriu parcialmente os impostos a partir do dia 1º de
março. Desde então, a gasolina passou a ter incidência de R$ 0,47 por litro. O
etanol foi reonerado em R$ 0,02 por litro.
Em abril, a
alta da gasolina foi de 3,47%. Houve, portanto, desaceleração na comparação com
março, em que o aumento do combustível foi de 5,76%. Ainda assim, foi o subitem
com o maior impacto individual no IPCA-15 de abril (0,17 p.p.).
O etanol
também colheu alta com a reoneração e subiu 1,10% no mês, em cima de uma outra
alta de 1,96% em março. O grupo combustíveis subiu 2,84% em abril porque contou
com quedas do diesel (-2,73%), que continua com a desoneração federal vigente,
e do gás veicular (-2,17%).
Houve
surpresa entre as passagens aéreas: alta de 11,96%, vinda de queda em março de
5,32%.
Desaceleração
em curso
Segundo o
IBGE, a desaceleração do índice neste mês está ligada à redução de preços em
três grupos: Alimentação e bebidas (que sai de 0,20% em março para 0,04% em
abril), Comunicação (de 0,75% para 0,06%) e Habitação (de 0,81% para 0,48%).
Em
Alimentação e bebidas, o destaque foi a alimentação em domicílio, que teve
queda de 0,15%, junto com alguns grupos de alimentos. O principal foi a batata
inglesa, que recuou 7,31% no mês. A alimentação fora de casa também desacelerou
de 0,68% em março para 0,55% em abril.
Entre os choques que evitaram um resultado ainda melhor, o grupo de Saúde e cuidados pessoais (1,04%) teve pressão dos produtos farmacêuticos (1,86%), após a autorização do reajuste de até 5,60% no preço dos medicamentos, a partir de 31 de março.
“Os
itens de higiene pessoal tiveram desaceleração de 2,36% em março para 0,35% no
IPCA-15 de abril, influenciados, principalmente, pelos perfumes (-1,99%). Além
disso, o item plano de saúde (1,20%) segue incorporando as frações mensais dos
reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023”, diz o
IBGE.
Por fim, o
grupo Habitação (0,48%) ainda sofre pressões da energia elétrica residencial,
que teve alta de 0,84% em abril, e também do aluguel residencial (0,53%), que
havia registrado alta de 0,15% em março.