Justiça aceita pedido de recuperação judicial das Americanas
Justiça aceita pedido de recuperação judicial das Americanas
Dívida do grupo é de R$ 40 bilhões.
Publicado em 19/01/2023 - 19:17 Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro - Atualizado em 19/01/2023 - 20:34
O Tribunal
de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) informou nesta tarde (19) que foi aceito o
pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Americanas. A decisão é
do juiz Paulo Assed Estefan, da 4ª Vara Empresarial da capital. Na semana
passada, a descoberta de inconsistências contábeis no balanço fiscal do grupo
resultou no pedido de demissão do presidente Sérgio Rial e do diretor de
relações com investidores André Covre.
Ambos haviam
sido empossados há pouco mais de uma semana, mas anunciaram a decisão de deixar
os cargos ao estimar que havia um rombo de R$ 20 bilhões. A notícia gerou uma
queda bruscas imediata de mais de 70% nas ações da Americanas cotadas na Bolsa
de Valores. O anúncio do pedido de recuperação judicial também impactou os
ativos, que desvalorizaram hoje quase 40%. Na petição apresentada ao TJRJ, o
grupo calcula que as inconsistências contábeis devem elevar as dívidas para um
montante em torno de R$ 40 bilhões.
A
recuperação judicial é solicitada quando uma empresa se encontra em
dificuldades financeiras. Com o pedido aceito, eventuais execuções judiciais de
dívidas são paralisadas por 180 dias e a empresa deverá apresentar em 60 dias
uma proposta que inclua formas de pagamento aos credores e uma reorganização
administrativa, de forma a evitar que a situação se agrave e chegue a um
cenário de falência. A lista completa dos mais de 16 mil credores deverá ser
entregue em 48 horas.
O Grupo Americanas é composto pelas empresas Americanas S.A., B2W Digital Lux e JSM Global. Elas são responsáveis por marcas variadas que realizam vendas a varejo e por meio da internet, tais como as Lojas Americanas, Americanas.com, Submarino, Shoptime, Hortifrutti, entre outras. Segundo a petição apresentada ao TJRJ, juntas elas atingem mais de 50 milhões consumidores.
O grupo
sustentou que preenche todos os requisitos legais da Lei de Recuperação
Judicial e que é incontestável a necessidade do atendimento do pedido para
superação da sua crise financeira e preservação da sua atividade empresarial.
Também informou que seu conselho de administração já criou um comitê
independente formado por profissionais, que será responsável por investigar o
cenário e apresentar suas conclusões aos acionistas, ao mercado e à sociedade
em geral.
“Em razão do
potencial descumprimento de obrigações contratuais acessórias, previstas em
vários dos contratos celebrados com seus credores, inclusive estrangeiros,
tornou-se iminente o risco de declaração de vencimento antecipado e imediato da
totalidade de suas bilionárias obrigações”, registra o pedido.
Comunicado
ao mercado
Mais cedo, o
Grupo Americanas já havia admitido, em comunicado ao mercado, a possibilidade
de pedir recuperação judicial. Na ocasião, foi informada uma posição de caixa
de R$ 800 milhões e que uma parcela estava indisponível para movimentação.
Em novo
comunicado divulgado ao mercado para confirmar o pedido de recuperação
judicial, o Grupo Americanas afirmou confiança na manutenção de suas operações
e informou que o grupo de acionistas de referência da empresa – que é formado
pela 3G Capital Partners dos sócios Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira
e Marcel Hermann Telles – manifestou que pretende manter sua liquidez em
patamares que permitam o bom funcionamento de todas as lojas.
“A
companhia manterá seu esforço na busca por uma solução com os seus credores,
para manter seu compromisso como geradora de milhares de empregos diretos e
indiretos, amplo impacto social, fonte produtora e de estímulo à atividade
econômica, além de ser uma relevante pagadora de tributos”, acrescenta o
texto.
Processos
administrativos
A Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), autarquia que atua na fiscalização do mercado de
capitais brasileiro, publicou nota nesta noite informando que uma força-tarefa
promoveu a instauração de sete processos administrativos para investigar a
situação envolvendo o Grupo Americanas. Entre diversas questões, serão apuradas
denúncias de irregularidades relacionadas com informações contábeis, divulgação
fatos relevantes e comunicados, negociações envolvendo ativos emitidos pela
companhia, condutas dos acionistas de referência e atuação de agências de
classificação de risco de crédito.
“Caso
venham a ser formalmente caracterizados ilícitos ou infrações, cada um dos
responsáveis poderá ser devidamente responsabilizado com o rigor da lei e na
extensão que lhe for aplicável”, registra o texto. A CVM também informou
que atua em cooperação com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal
(MPF) e que está em constante diálogo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para
coordenar uma eventual atuação conjunta em juízo. Além disso, foi criada uma
chamada na capa de seu portal eletrônico para recebimento de novas denúncias
relacionadas aos fatos recentes.
Matéria
publicada às 20h34 para acréscimo de nota da
Comissão de Valores Mobiliários.
Edição:
Fábio Massalli