Pantanal e Amazônia enfrentaram piores incêndios em quase 20 anos, aponta observatório europeu
Pantanal e Amazônia enfrentaram piores incêndios em quase 20 anos, aponta observatório europeu
Dado considera número de focos de incêndio, extensão das áreas afetadas e emissões de carbono geradas. Copernicus diz que altas temperaturas, seca prolongada e outros fatores contribuíram para o aumento da intensidade do fogo e seus efeitos na qualidade do ar.
Por Roberto Peixoto, g1
O Pantanal e
a Amazônia enfrentaram seus piores incêndios em quase 20 anos, com o fogo
afetando a qualidade do ar em boa parte da América do Sul, anunciaram
cientistas do Observatório Europeu Copernicus nesta segunda-feira (23).
O dado
considera o número de focos de incêndio, a extensão das áreas afetadas e as
emissões de carbono geradas.
Segundo o
Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus (CAMS), as emissões de
incêndios na região têm se mantido acima da média.
Em todo o Brasil, as emissões acumuladas em 2024 atingiram 183 megatoneladas de carbono (Mt CO2) até 19 de setembro, seguindo a mesma tendência do ano recorde de 2007. Naquele ano, 65 megatoneladas foram emitidas apenas em setembro.
Estados como
Amazonas e Mato Grosso do Sul, onde está localizado o Pantanal, registraram as
maiores emissões em 22 anos de monitoramento do observatório, com 28 e 15
megatoneladas de carbono emitidas este ano, respectivamente.
Já na
Bolívia, as emissões de carbono resultantes dos incêndios alcançaram o maior
valor anual no banco de dados do CAMS, somando 76 megatoneladas até meados de
setembro, superando o recorde anterior de 2010.
Só em
setembro, foram mais de 32 megatoneladas no paí vizinho ao Brasil. Ainda
segundo o Copernicus, enquanto os incêndios no Pantanal contribuíram significativamente
para o recorde de emissões no Brasil, seu impacto na Bolívia foi moderado,
sendo Santa Cruz de La Sierra a principal origem das emissões no país.
“Em
2024, os incêndios na América do Sul têm se mostrado muito acima da média,
especialmente na Amazônia e no Pantanal. A fumaça gerada afetou áreas muito
além dos locais onde os incêndios ocorreram, chegando a atravessar o
Atlântico”, diz Mark Parrington, cientista sênior do CAMS.
Para o
Copernicus, esses incêndios são considerados fora do comum, mesmo durante o
atual período de julho a setembro, quando normalmente ocorrem queimadas.
O
observatório europeu cita ainda que altas temperaturas, seca prolongada e
outros fatores climáticos contribuíram para o aumento da intensidade do fogo e
seus efeitos na qualidade do ar.
“A
extensão da fumaça e os efeitos na qualidade do ar indicam a gravidade e a
intensidade das chamas. É fundamental manter o monitoramento desses incêndios e
suas emissões para entender melhor seu impacto na qualidade do ar e na
atmosfera”, acrescentou Parrington.