EMIRADOS ÁRABES ACUSAM IRÃ DE DISPARAR DOIS MÍSSEIS CONTRA O PAÍS
Em comunicado divulgado na rede social X, o Ministério da Defesa afirmou que nenhum deles atingiu seu território, mas um deles caiu em seu espaço marítimo.
Por Redação g1
Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã, nesta terça-feira (18), de disparar dois mísseis balísticos contra o país.
Em comunicado divulgado na rede social X, o Ministério da Defesa afirmou que nenhum deles atingiu seu território, mas um deles caiu em seu espaço marítimo:
“As defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos detectaram dois mísseis balísticos lançados do Irã em direção ao país, sendo que o primeiro caiu fora das águas territoriais do país, enquanto o segundo caiu dentro das águas territoriais”.
O Irã ainda não se pronunciou sobre a acusação.
Horas antes, na manhã desta terça, o Ministério do Interior dos Emirados enviou um alerta por telefone à população informando que a situação era segura e que as pessoas deveriam retomar suas atividades normais, após um alerta anterior sobre uma ameaça de míssil.
Irã subiu o tom e fez ameaças à região um dia antes
Em declarações nesta segunda-feira (17), um alto funcionário do governo iraniano já havia dito que Teerã iria partir para uma postura ofensiva caso as ameaças americanas seguissem e as negociações continuassem paradas.
De acordo com a autoridade, Teerã “intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar”, e dará um prazo para que as tropas americanas interrompam o bloqueio militar imposto aos portos iranianos.
“Pressionar-nos ou depender de mediadores para alcançar uma paz duradoura não é realista. O Irã estabeleceu um prazo de algumas semanas para a implementação completa do memorando de entendimento pelos EUA. O cronograma estabelecido pelo Irã será comunicado ao governo americano e aos países da região por meio de mediadores”, declarou.
Os Emirados Árabes são um forte aliado americano no Oriente Médio e um dos países mais prejudicados pela situação no Estreito de Ormuz, principal rota para exportação de petróleo da região, que está com o tráfego comprometido desde o começo da guerra, no fim de fevereiro.
O Estreito de Ormuz no centro do conflito
Mais cedo, nesta terça, o Irã e os Estados Unidos trocaram mais uma vez declarações contraditórias sobre o cenário atual no estreito.
Em discurso no Parlamento iraniano, televisionado na mídia estatal, o principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições do acordo provisório assinado com o Irã em junho.
Em discurso ao Parlamento, Qalibaf afirmou que as condições incluem:
o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos
o encerramento das sanções ao petróleo iraniano
a liberação dos ativos congelados de Teerã
o fim das ameaças e operações militares em todas as frentes da guerra
Horas depois, em post na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a negar que Ormuz esteja fechado. Afirmou que não há mais minas aquáticas no estreito e que ele está “aberto e operacional”.
“Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã. O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas”, escreveu.
Trump também provocou o Irã postando uma imagem do Estreito de Ormuz como “novo território dos EUA”.
Em resposta à montagem, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou sobre Trump que “em breve, sua ilusão a respeito do Estreito de Ormuz será corrigida, ou nós corrigiremos as ilusões desse iludido”.
Na sexta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia dito que pretendia declarar em breve o Estreito de Ormuz como território americano.
No mesmo dia, o Irã respondeu que Ormuz está sobre a autoridade do país e que ameaças dos Estados Unidos não intimidam o governo iraniano, que divulgou sua lista de exigências aos EUA para a reabertura do Estreito de Ormuz, entre elas uma indenização financeira, que Trump ironizou, no dia 8.
